DRE: como montar e avaliar resultados contábeis do jeito certo!

A DRE é um documento essencial para que se possa compreender o estado financeiro atualizado de uma empresa

O documento é criado a fim de, junto ao balanço patrimonial, demonstrar quais são os resultados de uma empresa em um determinado período.

Além dos insumos essenciais para uma boa prática administrativa, a DRE também lança ferramentas indispensáveis para um melhor planejamento de uma empresa.

Conheça mais sobre este documento a seguir.

DRE na contabilidade empresarial: o que é?

Na contabilidade, a DRE é a chamada Demonstração do Resultado do Exercício. Ou seja: uma forma de representar, de forma consolidada, os resultados e a posição financeira atual de uma empresa.

A DRE contabilidade foi estabelecida através da Lei 6.404, de 1976, em seu artigo 187, em que se determina quais são os dados que precisam constar do documento, tais como:

  • Receita bruta;
  • Receita líquida;
  • Despesas operacionais;
  • Lucro ou prejuízo operacionais;
  • Resultado obtido antes da aplicação de Imposto de Renda e depois dos impostos;
  • Participações debêntures;
  • Lucro ou prejuízo do período.

Quando unimos a DRE ao Balanço Patrimonial, temos como resultado o principal documento contábil que você pode levar ao seu cliente.

Nestes documentos podem ser observados os resultados da empresa em determinando período, o que pode ser essencial para o planejamento estratégico de uma empresa.

Quer saber mais? Acompanhe agora:


Componentes da DRE: estrutura e passo a passo de como montar

A DRE tem uma estrutura simples de ser compreendida quando são analisados seus principais componentes de forma individualizada, conforme veremos a seguir:

1. Receita de vendas ou faturamento bruto

É a soma de tudo aquilo que entrou no caixa da empresa, seja em dinheiro ou em créditos relacionados à venda de materiais, à prestação de serviços, juros e dividendos.

2. Deduções de impostos e tributos sobre a venda (-)

Todas as devoluções de vendas, os descontos incidentes sobre vendas e, ainda, o abatimento de impostos (ICMS e ISS) são dedutíveis da receita.

3. Receita operacional líquida (=)

A receita líquida é o valor obtido da operação cujas variáveis foram descritas anteriormente, a Receita diminuída das Deduções.

4. Custo da prestação do serviço ou dos produtos vendidos (-)

O custo de produtos vendidos e o custo dos serviços prestados é a relação de todas as despesas relacionadas à fabricação, produção de um determinado produto ou prestação de um serviço que será prestado.

5. Lucro operacional líquido (=)

O lucro operacional líquido é o resultado da diminuição da receita líquida do valor que é gasto a fim de produzir um produto ou de prestar um serviço.

6. Despesas operacionais (-)

Todas as despesas relacionadas à operação de uma empresa, como o valor do aluguel, conta de energia, água, internet ou telefone são descontadas do valor do lucro líquido da operação.

Folha de pagamento e despesas relacionadas à operação, como marketing, por exemplo, também são aqui lançadas.

7. Despesas financeiras líquidas (-)

As despesas relacionadas às operações financeiras de uma empresa – juros, multas, taxas bancárias, taxas de importação e qualquer outra que se aplique – são também subtraídas do lucro operacional líquido.

8. Resultado operacional antes do IRPJ e CSL (=)

A diferença entre o resultado do lucro operacional líquido e todas as demandas que decorrem sobre ele, que são as despesas financeiras e operacionais são aqui demonstradas e sobre elas, então, serão descontados os impostos.

9. Provisão para IRPJ e CSLL (-)

Do resultado operacional acima descrito decorrerão, então, os impostos de IRPJ e CSLL, aplicáveis à operação.

10. Resultado líquido do exercício (=)

O resultado líquido é obtido a partir dos cálculos acima dispostos, sendo esse o lucro de fato que uma empresa teve no período analisado pela DRE.

apuração do resultado do exercicio

E como fazer a apuração dos resultados de exercício (ARE)?

Na prática, a Apresentação do Resultado do Exercício é a própria DRE – Demonstração do Resultado do Exercício.

Veja, a seguir, como é a sua formulação através de um exemplo prático:

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
Receita de vendas ou faturamento bruto R$ 800.000,00
Deduções de impostos e tributos sobre a venda (-) R$ 100.000,00
Receita operacional líquida (=) R$ 700.000,00
Custo da prestação do serviço ou dos produtos vendidos  (-) R$ 300.000,00
Lucro operacional líquido (=) R$ 400,000.00
Despesas operacionais  (-) R$ 15.000,00
Despesas financeiras líquidas (-) R$ 5.000,00
Resultado operacional antes do IRPJ e CSL (=) R$ 380.000,00
Provisão para IRPJ e CSLL (-) R$ 28.880,00
Resultado líquido do exercício (=) R$ 351.120,00

Qual a finalidade e importância da DRE na gestão corporativa?

A DRE é de suma importância para uma boa administração de uma empresa, seja ela do tamanho que for, bem como para um bom planejamento estratégico de um negócio.

Nesse tipo de relatório temos um confronto entre as despesas de um negócio e as receitas geradas por ele.

Assim, temos o resultado líquido do desempenho de uma empresa em um período, bem como um detalhamento da situação operacional do negócio.

Além disso, a DRE demonstra  com mais assertividade quais são os setores em que pode haver redução de gastos e, consequentemente, aumentar o faturamento do seu negócio.

Em ações judiciais, a DRE também figura como um importante documento, sobretudo porque, através dela, podemos observar também os impostos calculados e devidamente pagos, quando em confronto com os dados do IRPF dos sócios.

Analisar o cenário tributário para escolha do regime ideal

Através da DRE é possível observar os resultados obtidos pela empresa no último ano, tanto antes quanto depois dos impostos aplicados.

Na DRE se verificam também os impostos do regime tributário, para que eles sejam os menores que forem possíveis.

De acordo com o resultado financeiro, é possível também avaliar os resultados caso a empresa opte por outro regime tributário.

finalidade e benefícios da DRE

Contribui para melhores decisões gerenciais

Através da comparação dos períodos, é possível também verificar as alterações no lucro bruto e lucro líquido, bem como a evolução das despesas e de impostos.

Através do demonstrativo de resultados do exercício  também é possível avaliar o potencial geração de resultados da empresa. Dessa forma, o gestor pode redirecionar seus esforços e investimentos, resultando em maior crescimento conforme cada cenário analisado.

Outra importante contribuição da DRE se relaciona à identificação do break even, ou ponto de equilíbrio.

Identificar o break even possibilita à empresa reconhecer quantas vendas são necessárias gerar para que se possa cobrir todas as despesas da empresa, sem que gere lucro, necessariamente.

A DRE também apresenta os indicadores de lucratividade, que são responsáveis pela demonstração da receita líquida da empresa no período analisado.

Assim, é possível identificar quais os principais indicadores de margem bruta, que relaciona o lucro bruto da empresa com os valores somados das vendas no período, bem como o e de EBIT, que mede o lucro das operações da empresa.

De acordo com os resultados dessa demonstração contábil é possível analisar, também, a melhor forma de direcionar esforços e recursos financeiros para diferentes setores da empresa, bem como a melhor forma de enxugar custos operacionais.

Permite o cálculo de importantes Indicadores de desempenho

Veja, a seguir, quais são os indicadores da demonstração do DRE!

Lucratividade das vendas (ROS)

Através deste indicador é possível observar os ganhos da empresa, em comparação com seu lucro líquido em um período, quando relacionado ao faturamento total.

Ponto de equilíbrio e Margem de contribuição

Este indicador apresenta a quantidade de vendas necessárias para que a empresa não tenha lucro, tampouco prejuízos. Assim, é possível cobrir todos os custos da operação e, de acordo com eles, estabelecer metas e objetivos.

De acordo com este indicador, é possível reconhecer qual a margem de contribuição que as vendas dos produtos da carta da empresa contribuem com a cobertura dos custos operacionais do negócio e gerar lucro.

Retorno sobre ativos (ROA)

O indicador de retorno sobre ativos demonstra os retornos da empresa sobre os ativos que foram investidos.

O resultado é obtido através da divisão do lucro líquido pelo total do ativo, que deve constar também no balanço patrimonial.

Retorno sobre patrimônio líquido (ROE)

O patrimônio líquido é resultante do passivo diminuído do ativo, que deve ser distribuído para o proprietário ou entre os sócios, de acordo com o capital aportado por cada um. É a forma de demonstrar como o investimento feito por eles gerou em lucro.

EBITDA

O EBITDA é, em inglês, earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, que, em tradução livre, é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização e é uma ferramenta para avaliar as aplicações de uma empresa e qual o impacto que elas têm.

As aplicações mencionadas são relacionadas às remunerações que uma empresa tem sem que, para isso, seja necessário ter vendido algo ou prestado algum serviço. São, portanto, juros, dividendos ou multas que acabam também por compor seu caixa.

Análise da DRE: como interpretar os dados da demonstração?

Dois tipos de análise podem ser feitos na demonstração do resultado do execício.

Veja, a seguir, cada uma delas.

Análise vertical

Através da análise vertical da DRE, é possível verificar o percentual das despesas, das receitas e, ainda, dos custos gerados pela empresa em um determinado período e em relação ao faturamento bruto.

Assim, é possível verificar quais foram as despesas que fizeram com que houvesse a redução de lucros da empresa.

Análise horizontal

A análise horizontal, diferente da análise vertical, observa o aumento ou até mesmo a redução das contas geradas pela empresa ao longo de um período.

Dessa forma, é possível verificar quais são os valores que são discrepantes e que devem ser observados com mais cuidado a fim de não comprometer o balanço da empresa.

quais são os tipos de demonstrativos de resultado do exercício?

Quais são os tipos e modelos de DRE?

A partir das noções básicas quanto a DRE e de sua estrutura,  é possível customizá-la, fazendo com que seus indicadores reflitam novos resultados, através dos quais uma empresa pode fazer análises específicas, de acordo com seus objetivos.

Veja, a seguir, quais são os principais modelos de DRE.

Gerencial

A DRE Gerencial permite que uma equipe de gestão possa analisar os recebimentos, despesas operacionais e também aquelas não operacionais, verificando de que forma o dinheiro da empresa é gerado e gasto.

Conforme esses números são apurados, é possível estabelecer limites para cada tipo de gasto ou investimentos, estabelecendo, assim, métricas e metas relacionadas à gestão dos recursos e, por fim, melhorando os resultados da operação.

Projetada

A partir do estabelecimento das metas para cada aspecto de geração de receitas e de despesas, é possível projetar quais serão os resultados futuros da empresa, a partir de suas projeções de vendas, custos da operação e despesas.

Através da DRE Projetada uma empresa pode estabelecer seu plano de metas anuais, convertendo esses dados financeiros em um plano estratégico que viabilize que cada um deles seja atingido no prazo definido pela própria DRE.

Simples ou Completa

A DRE Simples é aquela que consolida em uma única linha a soma de todas as despesas, receitas e impostos, atendendo de uma forma simplificada as demandas de uma DRE.

Já a completa discrimina cada um dos resultados lançados na soma, possibilitando que um controle financeiro mais apurado possa ser realizado.

Ambas atendem às necessidades de uma empresa em relação ao controle financeiro e prestação de contas, mas não são substituíveis.

É essencial que uma empresa possa ter controle de suas finanças a fim de poder realizar às duas formas de demonstrações, possibilitando, assim, que seu controle se dê de forma mais expressiva e, sobretudo, eficiente em relação ao entendimento que deve proporcionar.

Diferenças de outras demonstrações e relatórios contábeis

A DRE tem grandes “parceiros” quando se trata da análise contábil e da produção de relatórios contábeis, que devem sempre que possível ser analisados de forma conjunta pelas equipes de gestão e administração de um negócio.

Confira, a seguir, quais são eles:

DRE x Balanço Patrimonial (BP)

As principais diferenças entre esses dois documentos está relacionada a categoria do ativo que se observa.

Enquanto a DRE traz as relações entre despesas e receitas, bem como o balanço entre ativos e passivos, o balanço patrimonial demonstra qual a situação financeira real e imediata de uma empresa.

Para que o balanço patrimonial possa ser construído, é necessário observar todos os ativos e passivos, bem como seus lucros, dívidas e bens.

DRE x Demonstração de fluxo de caixa (DFC)

A principal diferença entre DRE e a Demonstração de fluxo de caixa (DFC) consiste no objetivo da aplicação das duas ferramentas de análise financeira.

Enquanto a DRE busca demonstrar a relação entre receitas e despesas e como ambas geram impactos positivos e negativos na gestão de uma empresa, a DFC busca a análise da forma como o dinheiro entra e sai da empresa, gerando caixa.

Embora pareça que as ferramentas têm um mesmo objetivo, é fundamental compreender que a DFC trata do dinheiro que efetivamente entrou no fluxo da empresa e do dinheiro que saiu do fluxo da empresa, independente da forma.

Não há uma relação de preponderância entre elas e uma empresa deve sempre buscar esses relatórios e apoiar seu planejamento estratégico sobre eles.

Como uma Assessoria Contábil pode ajudar você a fazer o DRE da sua empresa?

Uma assessoria contábil pode contribuir com a construção de uma DRE contabilidade que permite a análise de diversos fatores importantes para mensurar o risco da sua operação.

Identificar como se dão as relações entre as despesas e as receitas da sua empresa permite também observar qual a situação real das finanças do seu negócio, permitindo um melhor processo decisório.

Ao delegar a DRE contabilidade a uma empresa de consultoria contábil, é possível gerar diversos tipos de relatórios capazes de sustentar análises que contribuem com o sucesso de seu empreendimento.

A MF Consultoria conta com uma equipe pronta para fazer a sua DRE e levar até você uma análise detalhada da sua empresa. Fale agora com um de nossos consultores!

Conclusão

A DRE Contábil foi instituída através da Lei 6.404, de 1976, em seu artigo 187, como uma ferramenta para analisar os lucros e prejuízos possíveis de uma empresa.

Através da DRE é possível projetar, analisar e corrigir os rumos de uma empresa, sendo o documento um importante instrumento para o processo decisório do seu negócio.

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