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Investidor anjo: o que é e como ele atua em empresas do Simples Nacional?

O investidor anjo pode ser uma figura central para o desenvolvimento de uma empresa, seja qual for o seu porte, segmento de mercado ou objetivo central. O objetivo desse indivíduo é fazer um aporte em uma empresa, visando ao seu crescimento no médio e longo prazo, e seu potencial de geração de lucro.

No entanto, existem muitas dúvidas sobre a participação do investidor anjo em empreendimentos em estágios iniciais de crescimento, especialmente naqueles que optam pelo regime de tributação do Simples Nacional.

Você, que é gestor de um negócio, sabe o que é o investidor anjo? Tem ideia de como ele atua em empresas do Simples Nacional? Sabe quais são os benefícios de buscar um investimento desse tipo para o crescimento do seu negócio?

Essas são dúvidas comuns para empreendedores com menos experiência, mas não se preocupe! O foco central deste artigo é justamente explicar as principais questões sobre esse tipo de aporte e seu impacto em empreendimentos optantes pelo Simples Nacional.

Quer aprender mais? Então leia com bastante atenção!

O que é um investidor anjo?

Como dissemos na introdução do texto, investidor anjo é o termo utilizado para se referir a uma pessoa física que investe uma determinada quantia de recursos dentro de uma empresa, com objetivo de obter um retorno financeiro desse valor em médio ou longo prazo.

Este modelo de investidor atua como um banco, nesse caso, pois não obtém ganho nesse contexto por meio de juros, e sim pelo lucro gerado pelo empreendimento em que investiu. Dessa maneira, esse tipo de aplicação é ótimo para negócios com potencial de crescimento, já que evita o endividamento.

O investidor anjo é, acima de tudo, uma pessoa que assume um risco com o capital utilizado, e é por isso que ele recebe esse nome tão metaforicamente positivo!

Por que optar por um investimento anjo no lugar de um empréstimo?

Essencialmente, essa questão depende do modelo de negócio e da preferência do empresário. Optar por um investimento anjo pode ser bom para quem enxerga mais riscos em assumir dívidas, especialmente com instituições financeiras.

Por outro lado, muitos empreendedores têm receio em partilhar os lucros com uma pessoa externa ao seu negócio. Para quem acredita de forma concreta no potencial de geração de lucro do seu negócio, o apoio de investidor anjo pode não parecer tão benéfico assim.

Em todo caso, esse tipo de aporte é mais simples de negociar com um investidor anjo do que com um banco. Entretanto, muitos confundem a participação desse tipo de empreendedor com uma participação societária, e não é bem assim que as coisas funcionam nessa relação. Entenda melhor a seguir!

Investidor anjo: é sócio ou não?

Um princípio básico da atuação de um investidor anjo é que ele não assume participação societária na sua empresa. Por meio do contrato firmado nessa relação de investimento, é assumida uma parcela dos lucros como forma de reaver a aplicação realizada, mas sem objetivo de assumir uma quota participativa.

Portanto, o investidor anjo não é um sócio, e atua de forma mais parecida com um “patrono”. Portanto, o valor do aporte realizado por esse empreendedor não faz parte do capital social da empresa. Exceto por esse importante detalhe, essa relação empresarial se assimila à natureza jurídica de sociedade em conta de participação.

Apesar de parecer complicada toda essa explicação, o fato é que esse tipo de parceria é firmado por uma relação de confiança e transparência. O foco é permitir que ambas as partes se beneficiem, e que o seu negócio tenha condições melhores de crescer e se consolidar.

Tendo deixado claro como funciona a atuação de um investidor anjo, é hora de explicarmos como ele participa de empresas enquadradas no Simples Nacional. Antes de mais nada, porém, você sabe o que é esse regime tributário? Entenda melhor com a explicação abaixo!

Leia também: Capital social: entenda o que é e como definir.

O que é o Simples Nacional?

O Simples Nacional é um modelo simplificado de tributação, pelo qual todos os principais impostos que incidem sobre uma empresa são calculados e cobrados. Esse regime é exclusivo para negócios de micro ou pequeno porte, ou seja, com receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões.

Criado em 2006 com objetivo de simplificar a gestão de empresas em crescimento, esse regime tributário tem como diferencial a unificação dos tributos em uma alíquota e em uma guia unificada de pagamento. Ou seja, as empresas que optam pelo Simples Nacional só têm que se preocupar com um percentual e um boleto por mês!

No entanto, não é a mesma alíquota que se aplica a todo tipo de negócio! Nesse modelo de tributação, a cobrança dos impostos é separada por dois fatores: o faturamento anual e a atividade econômica realizada. 

Além disso, dependendo do seu ramo de atuação, a massa salarial pode ter uma influência, que é o caso do chamado “Fator R”.

Nesse contexto, as tabelas de alíquotas do Simples Nacional são divididas em cinco anexos. Conheça os tipos de negócio que são enquadrados em cada um deles:

Entenda os anexos do Simples Nacional

Os anexos do Simples Nacional são divididos para equiparar certas atividades econômicas do mesmo setor. Eles são:

  • Anexo I: para empresas do comércio;
  • Anexo II: abrange toda a atividade industrial, seja primária ou transformadora;
  • Anexo III: voltado para empresas de serviços de cunho não intelectual, mas permite migração de negócios do Anexo V;
  • Anexo IV: específico para algumas atividades de serviços, como advocacia, execução de obras de construção civil, limpeza e vigilância;
  • Anexo V: criado para as chamadas atividades intelectuais (exceto advogados), como medicina, engenharia, arquitetura, etc.

Apesar de ser muito vantajoso para empreendedores iniciantes, ou que têm empresas de menor porte, o Simples Nacional possui algumas limitações. Por exemplo, não é permitido o enquadramento de pessoas jurídicas com matriz no exterior, nem de bancos e outras instituições financeiras, por exemplo.

Além disso, existem restrições para empresários com participação em múltiplas empresas, e também para o investidor anjo que deseja aplicar uma certa quantia em um determinado negócio. Confira mais detalhes sobre essa regulamentação a seguir!

Entenda como o investidor anjo atua em empresas do Simples Nacional

Para evitar que a atuação do investidor anjo se tornasse um mecanismo para burlar as diretrizes do Simples Nacional, foi criada a Lei Complementar nº 155/ 2016. Essa legislação foi útil para definir de maneira mais clara esse tipo de vínculo empresarial.

De acordo com a LCP 155, o investidor anjo pode atuar tanto como pessoa física quanto como pessoa jurídica, e sua aplicação deve ser firmada por um contrato de participação, com limite de duração de sete anos.

Para empresas optantes pelo Simples Nacional, não é permitido conceder qualquer tipo de participação societária ao investidor anjo, nem mesmo por meio de voto administrativo. Ele também não pode cobrir dívidas da empresa aportada, nem em caso de liquidação.

Apesar do limite de sete anos no contrato firmado, o investidor só pode ser remunerado (dentro das diretrizes definidas) por um prazo de cinco anos.

Um dos detalhes mais importantes acerca do vínculo entre as duas partes desse tipo de relação de negócios é que o aporte feito pelo investidor anjo não é considerado como parte do faturamento da empresa. Isso é crucial para o enquadramento de um negócio como micro ou pequena empresa, permitindo que ela se mantenha no Simples Nacional.

E para o caso de venda da empresa, o que acontece com o investidor anjo?

Caso os sócios do empreendimento que recebeu um aporte desse tipo optem pela venda da empresa, o investidor anjo tem preferência na sua aquisição. Ou seja, ele pode igualar uma oferta feita pelas ações da empresa.

Além disso, esse investidor também tem o direito à venda da sua participação de investimento anjo. Caso outro empresário tenha interesse em assumir sua parcela dos lucros, isso pode ser negociado entre as três partes (sócios, atual investidor anjo e o novo responsável).

Cabe mencionar também que um investimento anjo pode ser realizado por um fundo de capital, já que, como dissemos, pessoas jurídicas também podem realizar aportes desse tipo, mesmo para empresas do Simples Nacional.

Como encontrar um investidor anjo para o meu negócio?

Em muitos modelos de negócio, os empresários tentam ao máximo conseguir capital externo para impulsionar o crescimento dos seus negócios. No entanto, não é simples tornar sua empresa atrativa para um investidor anjo.

Para que esse tipo de investimento venha, seu empreendimento deve demonstrar sinais de que vale a pena o risco. Para isso, é preciso demonstrar precisão em diversas medidas estratégicas, bem como segurança em suas operações internas.

Veja a seguir algumas medidas que você pode adotar na sua empresa para torná-la um bom negócio para um possível investidor anjo:

Realização de auditorias

A auditoria é uma excelente ferramenta para medir o grau de segurança de um investimento, já que busca avaliar uma empresa em diversas métricas, para encontrar inconsistências, fraudes, etc.

Antes de qualquer aporte, fusão ou aquisição de empresas, é comum que seja realizada a chamada auditoria due diligence. Além disso, vale a pena contratar auditorias externas para garantir que seu empreendimento esteja sempre em condições operacionais exemplares, e que seus registros financeiros estejam alinhados ao seu capital de giro.

Uso de tecnologia para otimizar processos

A tecnologia não é mais um simples luxo para a gestão de empresas, mas sim uma necessidade. Se você quer tornar seu negócio atrativo para investidores anjo dentro das diretrizes do Simples Nacional, é melhor que apresente uma escalabilidade positiva.

Isso significa que, para atrair esse tipo de investimento, é preciso mostrar sinais de que seu crescimento não estará atrelado a uma perda na qualidade dos serviços ou atendimento. Ou seja, é preciso mostrar que seu crescimento será sustentável, e não vai gerar gargalos na produção.

Nesse sentido, a tecnologia pode ser sua maior aliada. Como forma de manter a escalabilidade em alta, é preciso encontrar ferramentas que otimizem a produção, reduzam custos e permitam um atendimento de mais clientes com eficiência.

Reduzir custos e maximizar o lucro

Por falar em reduzir custos, nada mais atrativo para um investidor anjo do que uma empresa com alta lucratividade. 

Considerando que a lucratividade é medida pela razão entre lucro e faturamento, e que lucro é a diferença entre faturamento e gastos, então reduzir gastos é crucial para elevar a lucratividade.

Como o retorno desse tipo de investimento se baseia exclusivamente na partilha do lucro, é importante que sua gestão utilize metodologias voltadas para a maximização do lucro total, não apenas da sua margem.

Investir em inovação

Outro fator que ajuda a atrair o investidor anjo é a capacidade de inovação. As empresas do Simples Nacional que têm alto potencial de crescimento são justamente as que trabalham com propostas inovadoras, e precisam de um apoio financeiro para que possam decolar.

Portanto, se você tem uma ideia de negócio que acha que vai revolucionar o mercado, certifique-se de traçar um planejamento estratégico concreto, completo, que analise o máximo de riscos possíveis e tenha táticas de prevenção para lidar com eles. Assim, você demonstra ter um plano de ação para concretizar sua ideia!

Implementar uma cultura organizacional de transparência

Por fim, algo que todo investidor anjo valoriza é uma cultura organizacional de qualidade. 

Além de ser um sinal de transparência dentro das operações internas, isso também demonstra maturidade gerencial, que é vital para todo empreendimento que aspira a crescer.

Portanto, implemente em sua empresa uma cultura que valoriza o compliance, o uso de dados para a tomada de decisões, e que tenha uma missão concreta.

Conte com uma consultoria empresarial para a sua empresa!

O planejamento estratégico necessário para fazer com que um investidor anjo se sinta inclinado a apoiar a sua iniciativa empresarial é bem complexo. Além de requerer muito esforço e estudo, isso também depende de conhecimento prévio sobre as táticas e soluções necessárias.

Por isso, vale a pena buscar um serviço de consultoria empresarial para apoiar você na elaboração dessa estratégia! Felizmente, essa solução você encontra na MF Consultoria Contábil!

Somos uma empresa localizada em São Paulo, e trabalhamos com clientes dos mais variados segmentos com foco em acelerar seu crescimento de forma sustentável.

Trabalhamos também com serviços de assessoria contábil, ajudando sua empresa a cumprir com todas as obrigações do Simples Nacional ou qualquer que seja o seu regime tributário.

Entre em contato conosco e entenda como funciona cada uma das nossas soluções e como elas se adequam às suas necessidades.

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